A comunicação é uma área em expansão, a qual é considerada um processo social na perspectiva sociológica, pois designa os relacionamentos dos humanos na sociedade. Mas, para que haja comunicação é preciso da fala, da escrita, das imagens e até mesmo da própria roupa utilizada, a cor, o tecido, a marca, o meio de transporte usado, enfim inúmeros signos que nos dizem muitas coisas (falam sem palavras) são considerados linguagens não verbais.
É comum visualizarmos na mídia impressa e também na televisão a utilização da imagem como um texto não verbal. Porém, tanto a linguagem não verbal e a linguagem verbal expressam significados (sentidos) utilizando assim os signos, os quais na linguagem não verbal são constituídos de formas, cores, gestos, sons musicais, imagens; enquanto na linguagem verbal o signo é constituído de pelos sons da língua (a própria fala). A palavra signo vem do latim “signum” e primitivamente, portanto, o signo já era pensado como algo que se referia a uma coisa completa, maior e da qual era extraído, contudo foi Saussure o pioneiro no estudo da semiologia, a qual é um termo, que pretendia uma ciência geral do signo, não devendo confundi-la com semântica (que é o estudo do significado da língua). Saussure disse que:
O laço que une o significante e o significado é arbitrário ou, então, visto que entendemos por signo o total resultante da associação de um significante com um significado, podemos dizer mais simplesmente: o signo lingüístico é arbitrário. A idéia de mar não está associada por relação interior à sequência de sons m-a-r; poderia ser representada igualmente por outra sequência. (SAUSSURE, 1916, P.35).
Utiliza-se a palavra texto para se referir à tessitura de sentidos, bem como na linguagem iconográfica, o enunciado como um todo, como constituindo uma totalidade coerente. Já o texto não verbal produz discursos não verbais, possibilitando o entendimento de elementos visuais que facilitam o desenvolvimento do raciocínio, tornam os indivíduos leitores capazes de interpretar e entender as imagens que o cercam.
O texto não-verbal pode, em princípio, ser considerado dominantemente descritivo, pois representa uma realidade singular e concreta, num ponto estático do tempo. Uma foto, por exemplo, de um homem de capa preta e chapéu, com a mão na maçaneta de uma porta é descritiva, pois capta um estado isolado. (MACHADO, 2004. p.4).
A leitura de imagens (a qual faz parte do texto não verbal) tem chamado a atenção dos professores e dos alunos de áreas de conhecimento que têm a imagem como objeto de interesse, sendo que a educação através da imagem implica na formação dos professores que desejam utilizar a imagem como auxiliar do processo de comunicação pedagógica e também na formação do próprio aluno para conviver no que podemos chamar de uma “sociedade da imagem”. Para trabalhar com imagens, é importante oferecer aos alunos os fundamentos necessários para produzir e interpretar imagens, de forma que esta produção e interpretação tornem-se abrangentes que possibilitem compreender o objeto artístico conforme as questões postas em cada momento histórico, em especial, àquelas de nosso próprio tempo e lugar, pois as mesmas nos permitem compreender o homem e a própria cultura. Segundo Barbosa:
Temos que alfabetizar para a leitura da imagem. Através da leitura das obras de artes plásticas estaremos preparando a criança para a decodificação da gramática visual, da imagem fixa e, através da leitura do cinema e da televisão, a prepararemos para aprender a gramática da imagem em movimento. (BARBOSA, 1991, p.34).
Atualmente é perceptível a importância que as TICs possuem na sociedade, em virtude da inclusão social e digital que as mesmas propiciam, sobretudo por exercerem papel fundamental como mecanismos de mediação entre a própria sociedade e o indivíduo; através das TICs, a mídia vem se tornando um sujeito manipulador que articula um fazer persuasivo. Segundo o site Wikipédia o conceito de mídias sociais (social media) precede a internet e as ferramentas tecnológicas ainda que o termo não fosse utilizado. Trata-se da produção de conteúdos de forma descentralizada e sem o controle editorial de grande grupos. Significa a produção de muitos para muitos.
Enquanto sujeitos ativos em uma sociedade e cercados de textos, imagens e, sobretudo pela mídia é fundamental saber ler, compreender, interpretar e escrever, pois não basta ler e escrever para estar inserido no mundo, caso contrário a mídia apropria-se do senso comum das pessoas através de imagens distorcidas e má interpretadas; tornando assim os sujeitos em seres alienados na sociedade do espetáculo, pois os homens não são capazes de discernir a ideologia imposta pela mídia.
No Brasil, em 1921, nascera à revista Scena Muda e em 1926, nasce a Cinearte. Ambas as revistas possuíam em seu corpo a manifestação e a inserção do esquema industrial cultural de Hollywood, com margens e marcas de aspirações nacionalistas e do idealismo estético dos colaboradores. Desta forma, é possível verificar que não é de hoje que as revistas e demais TICs estão preocupadas com a estética. Como diz Verón, a estratégia de proximidade implica em um jogo de linguagem que estabelece discursivamente uma cumplicidade entre enunciador e enunciatário e que permite, no caso específico da revista, através desse jogo, apresentar seus conselhos ao leitor. Entre as revistas sobrarão somente aquelas que tiverem conseguido construir um contrato de leitura adaptado ao domínio em questão: o sucesso (ou o fracasso) não passa pelo que é dito (o conteúdo). (VERÓN, 1983, p.219).
Percebe-se que as revistas mencionadas O Galileu, O Mosquito e o Cruzeiro, além de serem escritas para públicos diferentes, não são da mesma época, ano, desta forma, obrigatoriamente terão temas distintos, imagens, textos variados. Contudo o que ambas possuem em comum é que as mesmas utilizam do recurso do texto verbal e texto não verbal como forma de persuadir o leitor. Ademais cada uma tem um foco de abrangência, como por exemplo, a revista O mosquito, é destinada para um público jovem e infantil e com o gênero de histórias em quadrinho, já a revista o Cruzeiro, destinada ao público adulto com o gênero fotojornalismo, enquanto a revista O Galileu é uma revista atual, destinada aos jovens e adultos interessados em assuntos ligados a ciência, história, tecnologia, religião, saúde e assuntos diversos.
Acredita-se que o texto verbal e não verbal influenciam no aprendizado dos educandos, haja vista que as exigências de leitura não ficam restritas apenas na palavra, assim ao estudar a imagem como discurso produzido pelo nao verbal é possível os elementos visuais que operam o discurso; bem como a importância do mesmo como forma de auxiliar no desenvolvimento do raciocínio lógico, na interpretaçao, na compreensão do mundo e os elementos que os cercam no cotidiano.
REFERÊNCIAS
BARBOSA, Ana Mãe Tavares Bastos. A imagem no Ensino da Arte: anos oitenta e novos tempos. São Paulo: Perspectiva, 1991.
Citação de Referências e Documentos Eletrônicos. Disponível em: http://moodleinstitucional.ufrgs.br/file.php/12090/3 Machado. Acesso em 24 de fevereiro de 2012.
Citação de Referências e Documentos Eletrônicos. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/em 24 de fevereiro de 2012.
SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de lingüística Geral. São Paulo: Cultrix, 2001.
VERÓN, Eliseo. Quand lire c’est faire: l’enonciation dans le discours de la presse écrite.Semiotique II. Paris: IREP, 1983.
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