sábado, 29 de outubro de 2011

Literatura Infantil

LITERATURA FANTÁSTICA

A Literatura Infanto-Juvenil desenvolve potencialidades intelectuais e espirituais. É um dos meios mais eficazes de desenvolvimento da linguagem e da personalidade, possui grande importância na formação do ser humano aberta, de horizontes ilimitados. Faz com que a criança ou o jovem viva uma nova dimensão e amplie suas referências.
Segundo Calvino (2004), a literatura fantástica nasceu com o Romantismo alemão, também chamado Godo, ou Gótico (aventuras fantasmagóricas, urbanas e sinistras, que gerariam as novelas vampirescas), com o que hoje chamamos de novela gótica. Os autores mais importantes nessa vertente são Hoffmann e Poe (apud Calvino, 2004). O surgimento da literatura fantástica esta relacionado com o racionalismo e com a cultura científica moderna problematizando a ciência e questionando a cultura teológica de maneira racional meditando sobre os impasses do homem, a fantasia e o próprio Deus.
Segundo Tzvetan Todorov (1975), o conceito de literatura fantástica diz respeito a um gênero evanescente que surge da hesitação do leitor entre a explicação natural e sobrenatural dos fatos presentes na obra. O fantástico leva uma vida cheia de perigos e pode se desvanecer a qualquer instante, pois se aproxima do real, mas fica limitada a fantasia e a ficção. Possui elementos inverossímeis, imaginários que estão distantes da vida do homem. É uma narrativa que possui um elemento ou fato sendo que para o mesmo não há uma explicação feita pelas leis deste mundo
Na obra “A introdução à literatura fantástica” (1975), Todorov definiu a literatura fantástica como:


O fantástico ocorre nesta incerteza; ao escolher uma ou outra resposta, deixa-se o fantástico para se entrar num gênero vizinho, o estranho ou o maravilhoso. O fantástico é a hesitação experimentada por um ser que só conhece as leis naturais, face a um acontecimento aparentemente sobrenatural. O conceito de fantástico se define, pois com relação aos de real e de imaginário. (TODOROV, 1975, p. 31).


É através da literatura fantástica que se originam os mais diversos filmes, peças de teatro e novelas, o folclórico, o sonho e a fantasia. As histórias de fantasmas, mansões mal assombradas e as recentes lendas urbanas também fazem parte da literatura fantástica.
Sobre esse assunto, o autor Cavalcanti (2000), afirma:

A literatura pode ser para a criança o espaço fantástico para a expansão do seu ser, exercício pleno da sua capacidade simbólica, visto trabalhar diretamente com elementos do imaginário, do maravilhoso e do poético. Amplia o universo mágico, trasreal da criança para que esta se torne um adulto mais criativo, integrado e feliz. (CAVALCANTI, 2000, p.39).


Desse modo concluímos que a literatura fantástica é sem sombra de dúvidas uma relação entre o real e o imaginário, um universo paralelo produzido pela mente, sendo que o inconsciente se utiliza do simbólico contrapondo-se com o racional. É o inexplicável que rompe com o real num misto de sensações maravilhosas e estranhas.

O fantástico implica, pois uma integração do leitor no mundo das personagens; define-se pela percepção ambígua que tem o próprio leitor dos acontecimentos narrados...; dura apenas o tempo de uma hesitação comum ao leitor e à personagem, que devem decidir se o que percebem depende ou não da “realidade”, tal qual existe na opinião comum. (TODOROV, 1975, p.37 e 47).

O fantástico possibilita outras dimensões e lógicas diferentes que se contrapõem com a razão e a coerência, desta forma basta surgir à expressão “Era uma vez...” para oportunizar um acesso imediato ao mundo da fantasia de histórias que possuem explicações mágicas para problemas da realidade.
A literatura fantástica representa o processo da descoberta da própria consciência, pois o leitor se identifica com o personagem através dos níveis de leitura que realiza, sendo que o texto deve obrigá-lo a considerar um mundo de personagens reais e com acontecimentos evocados relacionando-os com as suas próprias experiências particulares.
 Desta forma percebemos que é fundamental a inserção de livros infantis no ambiente das crianças, pois é através do contato com os livros que a criança, mesmo não sabendo ler irá criar suas histórias através da imagem, da fantasia, da imaginação ou da história contada.  O livro infantil que possui a literatura fantástica desenvolve na criança um misto de novas ideias que auxiliam na construção do próprio ser.
Por Tânia Maria Agatti Roso

REFERÊNCIAS

CALVINO, Ítalo (org.). Contos fantásticos do século XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
CAVALCANTI, J. Caminhos da Literatura Infantil e Juvenil. 1ª ed. São Paulo: Paulus, 2000.
TODOROV, T. Introdução à Literatura Fantástica. 1ª ed. São Paulo: Perspectiva, 1975.






sábado, 22 de outubro de 2011

A menina que odiava livros

E por falar em leitura...

Se o professor quer ensinar a gostar de ler, deve começar a transformar a leitura numa atividade livre, pois tudo o que se faz por obrigação tende a ficar monótono. Os professores devem transformar a sala de aula em um espaço prazeroso, onde aluno e professor sejam cúmplices do saber.
O aluno, hoje possui acesso a uma multiplicidade de situações que o insere no mundo, demonstrando no cotidiano a utilidade de saber ler juntamente com o aprender. Deve-se sempre respeitar a escolha e a preferência dos alunos por determinados livros. Com o passar do tempo ouvindo a opinião dos colegas e do professor sobre determinados livros, os alunos vão se interessar pelos que ainda não leram. Por isso é fundamental que a leitura seja estimulada, orientada, fundamentada, discutida e, principalmente, que seja de forma espontânea e não “imposta” como uma obrigação ou dever.
O aluno motivado cria interesse que nem ele mesmo percebe, mas que lhe causa prazer como as histórias ambientais, os livros de aventuras, contos de fadas...; etc., pois tem a necessidade de autoafirmação e busca de ideias, conselhos e entretenimento.
Diz Richard “o exemplo e a imagem do professor exercem grande influência nos primeiros anos de escola” (Bamberger, 1991 p.165). Se o aluno se identificar com o professor que gosta de ler, certamente ele será um leitor favoravelmente influenciado. Por isso o professor precisa mostrar alguns livros seus e deixar na sala para que ele possa lê-los.
É importante e interessante que o professor também selecione alguns livros e leia antes de indicar aos seus alunos, assim descobrirá como ajudá-los a enfrentar as dificuldades que apresentam e certamente encontrará textos que deverão ser descartados.
O objetivo da escola é formar leitores capazes de compreender os diferentes textos, objetivos, ambientes, homens e situações com as quais se defrontam, sendo assim precisa-se organizar um trabalho educativo para que os educandos experimentem e aprendam isso na escola.
Portanto, a escola deve oferecer materiais de qualidade. Essa pode ser a única forma dos alunos interagirem significativamente com o texto, cuja finalidade não seja apenas a resolução de pequenos problemas do cotidiano.
Faz-se necessário, que a escola dê mais ênfase à prática de leitura, trabalhando com a diversidade textual. Pois cada ser humano tem uma história e essa história não representa apenas experiências diárias no decorrer da sua vida, mas também a inclusão desse ser numa família, numa sociedade, numa cultura, sendo que a prática da leitura ultrapassa as paredes de uma sala de aula.
O educador precisará conscientizá-los de que a leitura é algo interessante e desafiador, é algo que se for conquistado plenamente dará autonomia e independência, sendo a leitura tão importante quanto à alimentação e a saúde, as quais são requisitos essenciais para a sobrevivência da espécie humana.
A escola deve respeitar a leitura de cada aluno, ela não pode exigir que a classe toda leia o mesmo livro, é interessante que tenham contato com variedades de obras, textos, personagens, enfim que o mundo da leitura seja amplo, conforme vemos em Suassuna (2004): “A leitura, conforme vem sendo encaminhada na escola, não cumpre suas mais fundamentais funções. Nem mesmo a lúdica, posto que a leitura imposta, “para nota”, com objetivos previamente traçados mata qualquer tipo de prazer que o desvelamento do texto escrito pudesse causar. (p.51)”.
 Tânia Maria Agatti Roso
 Referências
BAMBERG, Richard. Como incentivar o hábito da leitura. 3ª ed. São Paulo, Ática, 1991.
KLEIMAN, Ângela. Texto e leitor: aspectos cognitivos da leitura. 9ª ed. São Paulo, Pontes, 2004.
PCNs. Parâmetros Curriculares Nacionais Língua Portuguesa. Secretaria de educação Fundamental – Brasília, 44p.
SUASSUNA, Lívia. Ensino da língua portuguesa: uma abordagem. 7ª ed. São Paulo, Papirus, 2004.




A maior flor do mundo - José Saramago

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Escola Municipal Santa Terezinha participou da 6ª Jornadinha Nacional de Literatura

A Escola Municipal Santa Terezinha do município de Constantina, participou no dia 25 de agosto da 6ª Jornadinha Nacional de Literatura, sendo que a escola esteve representada pelas turmas da 7ª série A e B. O evento ocorre a cada dois anos na cidade de Passo Fundo, que é a Capital Nacional de Literatura; desde o ano de 2006.
Para participar do evento as turmas realizaram a Pré-Jornadinha,que prepara os alunos através de  leituras, trabalhos, pesquisas sobre os livros dos autores que estiveram na Jornadinha, pois a mesma visa a formação de leitores.
Os alunos participaram durante o evento da Sessão de abertura com o Gato Galileu, Natália e Mil-faces, assistiram ao espetáculo: 1000 Tempos-Intrépida Trupe e cantaram com o vocalista da Banda Engenheiros do Hawaii, Humberto Gessinger, a música “Sagração da Palavra”, tema da 14ªJornada Nacional de Literatura e 6ª Jornadinha Nacional de Literatura. Em seguida o escritor Ricardo Azevedo falou sobre suas obras, sobre como ser um escritor e respondeu perguntas realizadas pelos alunos, logo após aconteceu um show musical com O Segundo Ato - O Teatro Mágico, cortejo espetáculo: Banda Circense-Grupo de teatro De Pernas Proa Ar, espetáculo teatral Caravana da Ilusão-Teatro de Rua, atividades paralelas como: Viagem ao ciberespaço- Espaço dos computadores. Houve também conversa com os seguintes escritores: Claudio Fragata, Luis Antonio de Aguiar, Tiago de Melo Andrade, Gustavo Bernardo, Sérgio Capparelli,Christopher Kastensmidt, Telma Guimarães, entre outros.
A escola Municipal Santa Terezinha, através das professoras Daviana, Jaqueline e Tânia, dos alunos, da coordenação e direção agradece aos pais dos educandos que autorizaram seus filhos para participar do evento e em especial a Secretaria Municipal de Educação de Constantina, que viabilizou a participação no evento.

Foto 1:
Aluno e professora com o escritor Luis Antonio de Aguiar.

Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...


Vinicius de Moraes