sexta-feira, 16 de março de 2012

A HISTÓRIA DA PARTEIRA CLEMENTINA AGATTI
 
Daiane Roso Carini

Tânia Maria Agatti Roso

Atualmente vivemos em um mundo que esta em constante evolução, sobretudo para a área da medicina, pois vários são os avanços das pesquisas, descobertas de novos tratamentos para doenças, novos remédios e novas áreas de estudo da medicina surgem a cada dia. Contudo, não podemos renegar nosso passado que foi de muito sofrimento e aprendizado para que pudéssemos chegar aos dias atuais com resultados visíveis a todos.

No município de Constantina, a história não difere muito da grande maioria dos municípios, sabemos, pois que a colonização e ocupação da região Norte do Rio Grande do Sul ocorreu a partir do final do século XIX, com a implantação das colônias públicas e privadas. Desta forma os povoados recém-criados possuíam inúmeras dificuldades, dentre elas a questão do atendimento médico e hospitalar, sendo que para ter acesso a esse serviço era necessário deslocar-se para outras regiões como Palmeira das Missões ou Passo Fundo e as condições financeiras não permitiam pagar um médico, precisamente às pessoas dependiam muito de parteiras, curandeiros, benzedores etc.

Clementina Pires Agatti nasceu em 09 de novembro de 1897, na cidade de Roca Sales distrito de Estrela. Filha de Serafim Pires e Josephina Veneigue Pires casou-se com André Agatti no dia 05 de junho de 1926 e foram morar em Guaporé, anos mais tarde; por volta de 1929 mudaram-se para Carazinho e abriram uma casa comercial. Foi na cidade de Carazinho que Clementina, aprendeu o oficio de ser parteira, pois era uma pessoa de muita fé e dedicou-se muito a profissão escolhida.

No dia 15 de Janeiro de 1937 André, esposo de Clementina comprou terras em Constantina (Taquaruçú), era uma picada onde passavam os tropeiros, mas somente em 25 de fevereiro de 1938 é que vieram residir no local. Ao mesmo tempo em que plantavam as terras possuíam uma hospedaria e casa comercial.

Paralelamente as suas obrigações de cuidar da família dona Clementina, não tinha sossego, trabalhava dia e noite, pois sua fama de parteira profissional tinha se espalhado pela região. Além disso, Dona Clementina, realizava partos a domicilio, fazia longas viagens a cavalo e mantinha em sua hospedaria um quarto especial para receber as mulheres que estavam impedidas de dar a luz em suas próprias casas como, por exemplo, mães solteiras e viúvas, visto que na época a mulher sofria grande preconceito e não possuía voz ativa.

Dona Clementina, realizou mais de dois mil partos em quase 64 anos de profissão, atendeu mulheres de fazendeiros, comerciantes, bancários, trabalhadoras rurais, enfim atendia quem precisasse de seus serviços, nunca dizia não para ninguém, eram poucas as vezes que recebia pelos partos que realizava, pois não cobrava pelos serviços. Em Constantina, não foi a única parteira a ter a carreira tão longa, mas certamente foi a que mais teve prestígio e reconhecimento, acresça-se a esses fatos que médicos lhe procuravam para saber algumas práticas, pois era considerada uma mulher muito sábia. É verdade que ela não sabia ler e escrever, todavia no que se referia aos conhecimentos de mundo e, sobretudo os métodos que utilizava para curar o umbigo, a dieta alimentar e o chamado resguardo que ela recomendava a suas pacientes davam resultados positivos e seguros.

Segundo relatos de algumas pessoas houve famílias que tiveram todos os seus filhos com a Dona Clementina, como por exemplo: a senhora Alvina Marcolan, teve 8 filhos, Adeles Salvador Madalóz teve 13 filhos e Colorinda Menegazzo Giacomini,  de seus 10 filhos, 8 ela teve com o auxilio de Clementina.

No período de 1975, Dona Clementina, pelo fato da idade e por compreender que as mulheres precisavam ir ao médico, pois cada ano que passava surgia mais dificuldades nos partos, o aumento de aborto, a necessidade de acompanhamento no período gestacional, a realização de exames etc., deixou de lado sua profissão, contudo, mulheres ainda lhe procuravam para auxiliar os médicos e as pacientes a rezar.

Dona Clementina, veio a falecer recentemente, no dia 30 de maio de 2010, aos 105 anos de idade (provavelmente possuía mais idade, pois na época em que foi registrada era uma menina grande, segundo relatos Clementina possuía 113 anos).  Deixou 09 filhos, netos, bisnetos, tataranetos e tetranetos.

É inegável a importância da profissão de parteira para a sociedade da época e a história de Dona Clementina faz parte da história de muitos constantinenses através da sua profissão, deixando de lado interesses pessoais, familiares para dedicar-se em prol da sua comunidade, do coletivo e social.

 Texto publicado no livro: Constantina 50 anos de História e Histórias

sexta-feira, 9 de março de 2012

LINGUAGEM VERBAL E LINGUAGEM NÃO VERBAL

A comunicação é uma área em expansão, a qual é considerada um processo social na perspectiva sociológica, pois designa os relacionamentos dos humanos na sociedade. Mas, para que haja comunicação é preciso da fala, da escrita, das imagens e até mesmo da própria roupa utilizada, a cor, o tecido, a marca, o meio de transporte usado, enfim inúmeros signos que nos dizem muitas coisas (falam sem palavras) são considerados linguagens não verbais.
É comum visualizarmos na mídia impressa e também na televisão a utilização da imagem como um texto não verbal. Porém, tanto a linguagem não verbal e a linguagem verbal expressam significados (sentidos) utilizando assim os signos, os quais na linguagem não verbal são constituídos de formas, cores, gestos, sons musicais, imagens; enquanto na linguagem verbal o signo é constituído de pelos sons da língua (a própria fala). A palavra signo vem do latim “signum” e primitivamente, portanto, o signo já era pensado como algo que se referia a uma coisa completa, maior e da qual era extraído, contudo foi Saussure o pioneiro no estudo da semiologia, a qual é um termo, que pretendia uma ciência geral do signo, não devendo confundi-la com semântica (que é o estudo do significado da língua). Saussure disse que:
 

 O laço que une o significante e o significado é arbitrário ou, então, visto que entendemos por signo o total resultante da associação de um significante com um significado, podemos dizer mais simplesmente: o signo lingüístico é arbitrário. A idéia de mar não está associada por relação interior à sequência de sons m-a-r; poderia ser representada igualmente por outra sequência. (SAUSSURE, 1916, P.35).

 Utiliza-se a palavra texto para se referir à tessitura de sentidos, bem como na linguagem iconográfica, o enunciado como um todo, como constituindo uma totalidade coerente. Já o texto não verbal produz discursos não verbais, possibilitando o entendimento de elementos visuais que facilitam o desenvolvimento do raciocínio, tornam os indivíduos leitores capazes de interpretar e entender as imagens que o cercam.


O texto não-verbal pode, em princípio, ser considerado dominantemente descritivo, pois representa uma realidade singular e concreta, num ponto estático do tempo. Uma foto, por exemplo, de um homem de capa preta e chapéu, com a mão na maçaneta de uma porta é descritiva, pois capta um estado isolado. (MACHADO, 2004. p.4).

A leitura de imagens (a qual faz parte do texto não verbal) tem chamado a atenção dos professores e dos alunos de áreas de conhecimento que têm a imagem como objeto de interesse, sendo que a educação através da imagem implica na formação dos professores que desejam utilizar a imagem como auxiliar do processo de comunicação pedagógica e também na formação do próprio aluno para conviver no que podemos chamar de uma “sociedade da imagem”. Para trabalhar com imagens, é importante oferecer aos alunos os fundamentos necessários para produzir e interpretar imagens, de forma que esta produção e interpretação tornem-se abrangentes que possibilitem compreender o objeto artístico conforme as questões postas em cada momento histórico, em especial, àquelas de nosso próprio tempo e lugar, pois as mesmas nos permitem compreender o homem e a própria cultura. Segundo Barbosa:

Temos que alfabetizar para a leitura da imagem. Através da leitura das obras de artes plásticas estaremos preparando a criança para a decodificação da gramática visual, da imagem fixa e, através da leitura do cinema e da televisão, a prepararemos para aprender a gramática da imagem em movimento. (BARBOSA, 1991, p.34).
 

Atualmente é perceptível a importância que as TICs possuem na sociedade, em virtude da inclusão social e digital que as mesmas propiciam, sobretudo por exercerem papel fundamental como mecanismos de mediação entre a própria sociedade e o indivíduo; através das TICs, a mídia vem se tornando um sujeito manipulador que articula um fazer persuasivo. Segundo o site Wikipédia o conceito de mídias sociais (social media) precede a internet e as ferramentas tecnológicas ainda que o termo não fosse utilizado. Trata-se da produção de conteúdos de forma descentralizada e sem o controle editorial de grande grupos. Significa a produção de muitos para muitos.
Enquanto sujeitos ativos em uma sociedade e cercados de textos, imagens e, sobretudo pela mídia é fundamental saber ler, compreender, interpretar e escrever, pois não basta ler e escrever para estar inserido no mundo, caso contrário a mídia apropria-se do senso comum das pessoas através de imagens distorcidas e má interpretadas; tornando assim os sujeitos em seres alienados na sociedade do espetáculo, pois os homens não são capazes de discernir a ideologia imposta pela mídia.
No Brasil, em 1921, nascera à revista Scena Muda e em 1926, nasce a Cinearte. Ambas as revistas possuíam em seu corpo a manifestação e a inserção do esquema industrial cultural de Hollywood, com margens e marcas de aspirações nacionalistas e do idealismo estético dos colaboradores. Desta forma, é possível verificar que não é de hoje que as revistas e demais TICs estão preocupadas com a estética. Como diz Verón, a estratégia de proximidade implica em um jogo de linguagem que estabelece discursivamente uma cumplicidade entre enunciador e enunciatário e que permite, no caso específico da revista, através desse jogo, apresentar seus conselhos ao leitor. Entre as revistas sobrarão somente aquelas que tiverem conseguido construir um contrato de leitura adaptado ao domínio em questão: o sucesso (ou o fracasso) não passa pelo que é dito (o conteúdo). (VERÓN, 1983, p.219).  
Percebe-se que as revistas mencionadas O Galileu, O Mosquito e o Cruzeiro, além de serem escritas para públicos diferentes, não são da mesma época, ano, desta forma, obrigatoriamente terão temas distintos, imagens, textos variados. Contudo o que ambas possuem em comum é que as mesmas utilizam do recurso do texto verbal e texto não verbal como forma de persuadir o leitor. Ademais cada uma tem um foco de abrangência, como por exemplo, a revista O mosquito, é destinada para um público jovem e infantil e com o gênero de histórias em quadrinho, já a revista o Cruzeiro, destinada ao público adulto com o gênero fotojornalismo, enquanto a revista O Galileu é uma revista atual, destinada aos jovens e adultos interessados em assuntos ligados a ciência, história, tecnologia, religião, saúde e assuntos diversos.
Acredita-se que o texto verbal e não verbal influenciam no aprendizado dos educandos, haja vista que as exigências de leitura não ficam restritas apenas na palavra, assim ao estudar a imagem como discurso produzido pelo nao verbal é possível os elementos visuais que operam o discurso; bem como a importância do mesmo como forma de auxiliar no desenvolvimento do raciocínio lógico, na interpretaçao, na compreensão do mundo e os elementos que os cercam no cotidiano.


REFERÊNCIAS

BARBOSA, Ana Mãe Tavares Bastos. A imagem no Ensino da Arte: anos oitenta e novos tempos. São Paulo: Perspectiva, 1991.

Citação de Referências e Documentos Eletrônicos. Disponível em: http://moodleinstitucional.ufrgs.br/file.php/12090/3 Machado. Acesso em 24 de fevereiro de 2012.

Citação de Referências e Documentos Eletrônicos. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/em 24 de fevereiro de 2012.

SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de lingüística Geral. São Paulo: Cultrix, 2001.

VERÓN, Eliseo. Quand lire c’est faire: l’enonciation dans le discours de la presse écrite.Semiotique II. Paris: IREP, 1983.




ANÁLISE CRÍTICA DO VÍDEO: “DISPOSITIVO DE CONHECIMENTO BIO-ÓPTICO ORGANIZADO”



           O vídeo visualizado “Dispositivo de conhecimento bio-óptico organizado” faz uma ironia referente ao livro e ao computador, pois apresenta o livro como um recurso moderno comparando-o de certa forma com os recursos oferecidos por um computador. Sabe-se que vários pesquisadores anunciaram o fim da palavra, como por exemplo, O filósofo francês, Jean Baudrillard, consequentemente os livros também iriam desaparecer.
De fato, percebeu-se que a “aposentadoria” do livro não se concretizou, muito pelo contrário; com o surgimento de tantas tecnologias, ele permanece entre nós e vem sofrendo ao longo dos anos transformações que o tornam mais atrativo. Um exemplo disso é o surgimento dos e-books (livros virtuais) que facilitam a leitura das pessoas conectadas ao mundo tecnológico, pois ele é instrumento de comunicação que faz parte da linguagem do ser humano, sendo que essa linguagem esta cercada de regras no meio social.
Levando-se em consideração que o ato individual de se colocar a língua em funcionamento é que instaura a característica enunciativa da comunicação, e que esse ato introduz concomitantemente um locutor (condição principal para a enunciação) e um alocutário, pode-se dizer que essa relação não se fundamenta apenas no eu/tu, mas também na relação do eu/mundo, uma posição do locutor frente a tudo aquilo que pode cercá-lo.
Deste modo, pode-se dizer que a linguagem possui normas e regras e essas determinações asseguram o reconhecimento entre os interlocutores de uma comunidade. Essas marcas só criam sentidos se inseridas num universo social, e é esse universo que coordena a relação sujeito/mundo/linguagem, pois isso se faz pelos valores sociais, pelas significações sociais, pelas avaliações pessoais. Millôr Fernandes cita o livro além de instrumento de comunicação, de linguagem, mas também de cultura e faz referência ao meio tecnológico que o mesmo está inserido e as transformações que vem sofrendo.


Na deixa da virada do milênio, anuncia-se um revolucionário conceito de tecnologia de informação, chamado de Local de Informações Variadas, Reutilizáveis e Ordenadas - L.I.V.R.O. Ele representa um avanço fantástico na tecnologia. Não tem fios, circuitos elétricos, pilhas. Não necessita ser conectado a nada nem ligado.
Portátil, durável e barato, o L.I.V.R.O. é apontado como o instrumento de entretenimento e cultura do futuro. Milhares de programadores desse sistema disponibilizaram vários títulos e upgrades para a utilização na plataforma L.I.V.R.O. (Millôr Fernandes)



Sabe-se que o livro é um meio fundamental que proporciona acesso a linguagem, ao conhecimento, aos valores, a informação, e até mesmo a própria imaginação do ser humano, ademais é uma das formas mais acessíveis e democráticas ao conhecimento. Como já dizia Monteiro Lobato “Um país se faz com homens e livro”, pois o que seria de um país se não possuísse livros? Como seria a comunicação, a linguagem das pessoas? Como seriam as relações entre as pessoas? Enfim muitas outras indagações e reflexões surgem à mente quando nos referimos ao livro e a sua importância, mas a certeza de que o livro permanecera entre nós por muito tempo ainda é indubitável, seja ele na sua forma mais tradicional de brochura ou na versão moderna de e-book.



Tânia Maria Agatti Roso


Referências

Citação de Referências e Documentos Eletrônicos Disponível em: http://www.amigosdolivro.com.br/lermais_materias.php?cd_materias=3689. Acesso em 17 de fevereiro de 2012.
Citação de Referências e Documentos Eletrônicos Disponível em: http://lobato.globo.com/.  Acesso em 17 de fevereiro de 2012.