ALINE GHELLER
LUCIMARA DA SILVA HENSEN
MÁRCIO VOSS
TÂNIA MARIA AGATTI ROSO
Sabemos que na década de 50 surgiram estudos
que envolvem a questão escolar, os quais primavam pela importância das
interações interpessoais para a aprendizagem e o desenvolvimento do aluno, com
ênfase nas condições curriculares vivenciadas pelos
alunos no cotidiano escolar. Para tanto se verificava que as dificuldades nas
interações entre professores e alunos acabavam por refletir em resultados
educacionais abaixo do esperado. Assim vários estudos foram sendo desenvolvidos
com o intuito de melhorar essa problemática e a partir daí a importância de
trabalhar com projetos educacionais Conforme
lemos em Martha, apud Comte “a administração educacional e o Positivismo na Década de 50 e os
estudos positivistas como fundamentos conceituais da administração educacional
proporcionaram a criação de um movimento teórico”.
Observa-se
nas escolas atualmente que muitas possuem problemas relacionados à interação
tanto entre alunos, quanto entre professores. Contudo, as escolas que possuem
como prática o trabalho interdisciplinar através de projetos conseguem
potencializar alguns resultados educacionais com boa interação não apenas entre
seus usuários (professores, alunos, funcionários, pais), mas com toda a
comunidade, consecutivamente o conhecimento será
maior.
Sabe-se que para a elaboração de um bom projeto é preciso que os
profissionais saibam identificar os processos, ou seja, os procedimentos que
devem ser seguidos para a elaboração do mesmo, as carências e necessidades de
sua escola, da sua turma e até mesmo da comunidade, posteriormente o término da
elaboração é preciso executar o projeto conforme o
cronograma e para finalizar realizar uma avaliação para verificar se o mesmo
alcançou os objetivos propostos.
Com o desenvolvimento de projetos pedagógicos nas escolas, novas
práticas de ensino surgirão com reflexões partilhadas entre professores,
alunos, funcionários e a comunidade em geral, debatendo sobre as problemáticas
enfrentadas no ambiente escolar, sobre as condições básicas do ensino e também
de infraestrutura, pois acima de tudo educar é transformar a vida dos
educadores e dos educandos em um processo permanente de aprendizado.
Num país com imensas desigualdades e contradições, a
educação se apresenta como um fator de esperança e transformação para a
sociedade, não apenas permitindo o acesso ao conhecimento, à participação, mas
propiciando condições para que o indivíduo construa sua cidadania. (SERRÃO,
Margarida. 1999 p. 23).
Criar condições para a construção da
cidadania é explorar os recursos existentes na escola e utilizar-se de novos
recursos, que vão além de quadro e giz, a maioria das crianças e jovens de hoje
já conhecem, tem ou já tiveram contato com tecnologias (rádio, TV, DVD, internet,
computador MPs...), assim para se tornar igualitária a escola deve proporcionar
esse acesso a todos os alunos, pois maioria não quer dizer totalidade. Existem
também outras realidades, que apresentam um número expressivo de alunos que não
tem acesso às tecnologias.
As tecnologias proporcionam recursos que quando bem utilizados são
proveitosos no desenvolvimento do trabalho pedagógico, pois acoplam as
tecnologias e o conteúdo a ser trabalhado. Essa junção tende a despertar o
interesse dos educandos bem como desenvolver a aprendizagem cumprindo a função
social da escola que é ampliar o conhecimento dos educandos sem privilégios, de
forma igualitária, promovendo a inclusão, desenvolvendo a autonomia e
enriquecendo as relações sociais. Para tanto é necessário pesquisa, estudo,
planejamento e organização, desta maneira ocorre à inserção dos projetos.
Todo projeto supõe rupturas com o presente e promessas
para o futuro. Projetar significa tentar quebrar um estado confortável para
arriscar-se, atravessar um período de instabilidade e buscar uma nova
estabilidade em função da promessa que cada projeto contém de estado melhor do que o presente.
(GADOTTI, Moacir. 2001, p.37).
O projeto quando bem elaborado proporciona a participação de toda a comunidade
escolar, pois envolve gestores, professores, alunos, pais e a comunidade onde a
escola está inserida. Essa integração da escola com a comunidade local é
importante para a valorização da escola, bem como de seus educandos e
educadores. O projeto é uma forma de dividir com a sociedade os trabalhos
desenvolvidos pela escola e de ampliar as relações com a comunidade, promovendo
cada vez mais ações diversificadas. Mas o que é um projeto e quais seus
benefícios?
Alguns
aspectos básicos devem estar presentes na elaboração do projeto pedagógico de
qualquer escola. Antes de tudo, é preciso que todos conheçam bem a realidade da
comunidade em que se inserem para que em seguida possam estabelecer o plano de
intenções, ou seja, um pano de fundo para o desenvolvimento da proposta.
Na
prática, a comunidade escolar deve começar respondendo à seguinte questão: por
que e para que existe esse espaço educativo? Uma vez que isso esteja claro para
todos, segundo Bussmann, é preciso olhar para os outros três canais do projeto.
Primeiro: a proposta curricular estabelecendo o que e como se ensina, as formas
de avaliação da aprendizagem, a organização do tempo e o uso do espaço na
escola. Segundo: a formação dos professores, desta maneira como a equipe vai se
organizar para cumprir as necessidades originadas pelas intenções educativas.
Terceiro: a gestão administrativa, a qual tem como função principal viabilizar
o que for necessário para que os demais pontos funcionem dentro da construção
da escola que é almejada.
Além disso, é importante que o projeto preveja
aspectos relativos aos valores que se deseja instituir na escola, ao currículo
e à organização, relacionando o que se propõe na teoria com a forma de realizá-lo
na prática sem esquecer, é claro, de prever os prazos para tal. Além disso, um
mecanismo de avaliação de processos tem de ser criado, revendo as estratégias
estabelecidas para uma eventual reelaboração de metas e ideais.
O projeto tem como desafio transformar o papel da escola na comunidade. Em vez de só atender às demandas da população, sejam elas atitudinais ou conteudistas e aos preceitos e às metas de aprendizagem colocadas pelo governo, quer dizer, a escola passa a sugerir aos alunos uma maneira de "ler" o mundo.
A elaboração do projeto pedagógico deve ser pautada em estratégias que dêem voz a todos os atores da comunidade escolar: funcionários, pais, professores e alunos. Essa mobilização é tarefa, por excelência, do diretor. Vale dizer, que é importante garantir que o projeto tenha objetivos pontuais e estabeleça metas permanentes para médio e longo prazo.
O projeto tem como desafio transformar o papel da escola na comunidade. Em vez de só atender às demandas da população, sejam elas atitudinais ou conteudistas e aos preceitos e às metas de aprendizagem colocadas pelo governo, quer dizer, a escola passa a sugerir aos alunos uma maneira de "ler" o mundo.
A elaboração do projeto pedagógico deve ser pautada em estratégias que dêem voz a todos os atores da comunidade escolar: funcionários, pais, professores e alunos. Essa mobilização é tarefa, por excelência, do diretor. Vale dizer, que é importante garantir que o projeto tenha objetivos pontuais e estabeleça metas permanentes para médio e longo prazo.
Projeto vem de projetar, projetar-se, atirar-se para frente. Na prática,
elaborar um projeto é o mesmo que elaborar um plano para realizar determinado objetivo. Portanto, um projeto supõe a realização
de algo que não existe, um futuro possível. Tem a ver com a realidade em curso
e com os objetivos propostos realizáveis, concretos. Dificilmente os
integrantes de uma escola escolherão trabalhar num projeto da escola se ele não for à extensão de seu próprio projeto de vida.
Trabalhar com projetos na escola exige um envolvimento muito grande de todos os
parceiros e supõe algo mais do que apenas assistir ou ministrar aulas.
Segundo Nogueira (2001, p.90), "um projeto na verdade é, a
princípio, uma irrealidade que vai se tornando real, conforme começa a ganhar
corpo a partir da realização de ações e consequentemente, as articulações
desta". É como um conjunto de ingredientes necessários para se fazer um
bolo. Esses ingredientes ainda não são o próprio bolo, mas podem ser
considerados como o desejo, a necessidade, a vontade de se produzir o alimento
que simboliza o resultado da união e determinação em se construir algo.
O trabalho com projetos é positivo tanto para o aluno quanto para o
professor. Ganha o professor, que se sente mais realizado com o envolvimento
dos alunos e com os resultados obtidos; ganha o aluno, que aprende mais do que
aprenderia na situação de simples receptor de informações. Assim a informação
passa a ser tratada de forma construtiva e proveitosa e o estudante desenvolve
a capacidade de selecionar, organizar, priorizar, analisar, etc.
O projeto nasce de um questionamento, de uma necessidade de saber, que
pode surgir tanto do aluno quanto do professor.
A chave do sucesso de um projeto está em sua base: a curiosidade, a
necessidade de saber, de compreender a realidade. Para Fernando Henandez
(1998), “todas as coisas podem ser ensinadas por meio de projetos, basta que se
tenha uma dúvida inicial e que se comece a pesquisar e buscar evidências sobre
o assunto”.
Contudo, isso não quer dizer que todo conhecimento
obrigatoriamente seja construído por meio de projeto. Não nega que haja necessidade de aula
expositiva, de trabalhos individuais e em grupo, participem de seminários, ou
seja, estudem em diferentes situações.
De
acordo com o livro Papel da Educação na Humanização de Paulo Freire, apud
revista da FAEBA, ele afirma que ao trabalhar com projetos interdisciplinares,
“tanto educadores quanto educandos envoltos numa pesquisa, não serão mais os
mesmos. Os resultados devem implicar em mais qualidade de vida, devem ser
indicativos de mais cidadania, de mais participação nas decisões da vida
cotidiana e da vida social. Devem, enfim, alimentar o sonho possível e a utopia
necessária para uma nova lógica de vida”
Segundo Hernández (1998), os projetos não podem ser considerados como um
modelo pronto e acabado ou como metodologia didática, ou separados de sua
dimensão política. Trabalhar com projetos significa dar novo sentido ao
processo do aprender e do ensinar. Eles devem estar voltados para uma ação
concreta, partindo da necessidade dos alunos, a fim de solucionar problemas da
sua realidade, para uma prática social que pode ser adaptada ao contexto
escolar.
Na execução de projeto coletivo, o aluno busca informações, leituras,
conversações, formulação de hipóteses, ampliando os seus conhecimentos, o senso
crítico e a autonomia. Tudo isso desenvolve competências favoráveis à sua vida.
Um projeto prova ser bom se for suficientemente completo para exigir uma
variedade de respostas diferentes dos alunos e permitir a cada um trazer uma
contribuição que lhe seja própria e característica. Essas respostas são
resultados do conhecimento significativo adquirido pelo aluno durante o
processo de ensino e aprendizagem.
Com o intuito, de ressaltar a importância do projeto pedagógico no
ambiente escolar é importante frisar que, sobretudo o projeto surgiu para
romper os paradigmas da educação tradicional que buscava apenas a formação do
individuo como um mero receptor que absorvia conhecimentos. No que se refere á
escola que a escola inclusiva, aquela que aceita as diferenças e proporciona a
integração dos seus indivíduos, vale dizer que é a escola que trabalha com
projetos pedagógicos voltados para a participação de todos os segmentos da
comunidade escolar priorizando a promoção do conhecimento.
REFERÊNCIAS
BUSSMANN,
Antônia Carvalho. O Projeto Político
Pedagógico e a gestão da escola. In: VEIGA, Ilma P. A. (Org.). Projeto Político Pedagógico: uma construção
possível. 3. ed. Campinas: Papirus, 1997.
Citação de Referências e
Documentos Eletrônicos
Disponível em: http://www.liderisp.ufba.br/modulos/pedagproj.pdf.
Acesso em 08 jul.2011.
Citação de Referências e
Documentos Eletrônicos Disponível em: www.uol.com.br/novaescola/ed/154_ago02/html/hernandez.doc.
Acesso em 08 jul.2011.
FREIRE,
Paulo. Papel da educação na humanização.
Revista da Faeeba. Salvador, n.7, jan./jun.1997.
GADOTTI,
Moacir; ROMÃO, E. José. Autonomia da
escola: Princípios e propostas. 4 ed.São Paulo: Cortez, 2001.
JALALI,
Martha. A teoria da
organização de Greenfield:uma alternativa para a administração educacional.
Aracajú: UFS, 1995. (Dissertação, Mestrado).
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Fernando; VENTURA, Montserrat. A
organização do currículo por projetos de trabalho. Porto Alegre: Artmed,
1998.
NOGUEIRA,
Nilbo Ribeiro. Pedagogia de projetos. São Paulo: Àtica, 2001.
SERRÃO,
Margarida. Aprendendo a ser e a conviver. 2 ed. São Paulo: FTD,1999.