segunda-feira, 18 de março de 2013

O PROJETO PEDAGÓGICO E SUA IMPORTÂNCIA NO AMBIENTE ESCOLAR


ALINE GHELLER

LUCIMARA DA SILVA HENSEN

MÁRCIO VOSS

TÂNIA MARIA AGATTI ROSO


              Sabemos que na década de 50 surgiram estudos que envolvem a questão escolar, os quais primavam pela importância das interações interpessoais para a aprendizagem e o desenvolvimento do aluno, com ênfase nas condições curriculares vivenciadas pelos alunos no cotidiano escolar. Para tanto se verificava que as dificuldades nas interações entre professores e alunos acabavam por refletir em resultados educacionais abaixo do esperado. Assim vários estudos foram sendo desenvolvidos com o intuito de melhorar essa problemática e a partir daí a importância de trabalhar com projetos educacionais Conforme lemos em Martha, apud Comte “a administração educacional e o Positivismo na Década de 50 e os estudos positivistas como fundamentos conceituais da administração educacional proporcionaram a criação de um movimento teórico”.

Observa-se nas escolas atualmente que muitas possuem problemas relacionados à interação tanto entre alunos, quanto entre professores. Contudo, as escolas que possuem como prática o trabalho interdisciplinar através de projetos conseguem potencializar alguns resultados educacionais com boa interação não apenas entre seus usuários (professores, alunos, funcionários, pais), mas com toda a comunidade, consecutivamente o conhecimento será maior.

Sabe-se que para a elaboração de um bom projeto é preciso que os profissionais saibam identificar os processos, ou seja, os procedimentos que devem ser seguidos para a elaboração do mesmo, as carências e necessidades de sua escola, da sua turma e até mesmo da comunidade, posteriormente o término da elaboração é preciso executar o projeto conforme o cronograma e para finalizar realizar uma avaliação para verificar se o mesmo alcançou os objetivos propostos.

Com o desenvolvimento de projetos pedagógicos nas escolas, novas práticas de ensino surgirão com reflexões partilhadas entre professores, alunos, funcionários e a comunidade em geral, debatendo sobre as problemáticas enfrentadas no ambiente escolar, sobre as condições básicas do ensino e também de infraestrutura, pois acima de tudo educar é transformar a vida dos educadores e dos educandos em um processo permanente de aprendizado.
 

Num país com imensas desigualdades e contradições, a educação se apresenta como um fator de esperança e transformação para a sociedade, não apenas permitindo o acesso ao conhecimento, à participação, mas propiciando condições para que o indivíduo construa sua cidadania. (SERRÃO, Margarida. 1999 p. 23).
 

Criar condições para a construção da cidadania é explorar os recursos existentes na escola e utilizar-se de novos recursos, que vão além de quadro e giz, a maioria das crianças e jovens de hoje já conhecem, tem ou já tiveram contato com  tecnologias (rádio, TV, DVD, internet, computador MPs...), assim para se tornar igualitária a escola deve proporcionar esse acesso a todos os alunos, pois maioria não quer dizer totalidade. Existem também outras realidades, que apresentam um número expressivo de alunos que não tem acesso às tecnologias.

As tecnologias proporcionam recursos que quando bem utilizados são proveitosos no desenvolvimento do trabalho pedagógico, pois acoplam as tecnologias e o conteúdo a ser trabalhado. Essa junção tende a despertar o interesse dos educandos bem como desenvolver a aprendizagem cumprindo a função social da escola que é ampliar o conhecimento dos educandos sem privilégios, de forma igualitária, promovendo a inclusão, desenvolvendo a autonomia e enriquecendo as relações sociais. Para tanto é necessário pesquisa, estudo, planejamento e organização, desta maneira ocorre à inserção dos projetos.


Todo projeto supõe rupturas com o presente e promessas para o futuro. Projetar significa tentar quebrar um estado confortável para arriscar-se, atravessar um período de instabilidade e buscar uma nova estabilidade em função da promessa que cada projeto contém de estado melhor do que o presente. (GADOTTI, Moacir. 2001, p.37).

 

O projeto quando bem elaborado proporciona a participação de toda a comunidade escolar, pois envolve gestores, professores, alunos, pais e a comunidade onde a escola está inserida. Essa integração da escola com a comunidade local é importante para a valorização da escola, bem como de seus educandos e educadores. O projeto é uma forma de dividir com a sociedade os trabalhos desenvolvidos pela escola e de ampliar as relações com a comunidade, promovendo cada vez mais ações diversificadas. Mas o que é um projeto e quais seus benefícios?

Alguns aspectos básicos devem estar presentes na elaboração do projeto pedagógico de qualquer escola. Antes de tudo, é preciso que todos conheçam bem a realidade da comunidade em que se inserem para que em seguida possam estabelecer o plano de intenções, ou seja, um pano de fundo para o desenvolvimento da proposta.

Na prática, a comunidade escolar deve começar respondendo à seguinte questão: por que e para que existe esse espaço educativo? Uma vez que isso esteja claro para todos, segundo Bussmann, é preciso olhar para os outros três canais do projeto. Primeiro: a proposta curricular estabelecendo o que e como se ensina, as formas de avaliação da aprendizagem, a organização do tempo e o uso do espaço na escola. Segundo: a formação dos professores, desta maneira como a equipe vai se organizar para cumprir as necessidades originadas pelas intenções educativas. Terceiro: a gestão administrativa, a qual tem como função principal viabilizar o que for necessário para que os demais pontos funcionem dentro da construção da escola que é almejada.

            Além disso, é importante que o projeto preveja aspectos relativos aos valores que se deseja instituir na escola, ao currículo e à organização, relacionando o que se propõe na teoria com a forma de realizá-lo na prática sem esquecer, é claro, de prever os prazos para tal. Além disso, um mecanismo de avaliação de processos tem de ser criado, revendo as estratégias estabelecidas para uma eventual reelaboração de metas e ideais.
            O projeto tem como desafio transformar o papel da escola na comunidade. Em vez de só atender às demandas da população, sejam elas atitudinais ou conteudistas e aos preceitos e às metas de aprendizagem colocadas pelo governo, quer dizer, a escola passa a sugerir aos alunos uma maneira de "ler" o mundo.
           A elaboração do projeto pedagógico deve ser pautada em estratégias que dêem voz a todos os atores da comunidade escolar: funcionários, pais, professores e alunos. Essa mobilização é tarefa, por excelência, do diretor. Vale dizer, que é importante garantir que o projeto tenha objetivos pontuais e estabeleça metas permanentes para médio e longo prazo.

Projeto vem de projetar, projetar-se, atirar-se para frente. Na prática, elaborar um projeto é o mesmo que elaborar um plano para realizar determinado objetivo. Portanto, um projeto supõe a realização de algo que não existe, um futuro possível. Tem a ver com a realidade em curso e com os objetivos propostos realizáveis, concretos. Dificilmente os integrantes de uma escola escolherão trabalhar num projeto da escola se ele não for à extensão de seu próprio projeto de vida. Trabalhar com projetos na escola exige um envolvimento muito grande de todos os parceiros e supõe algo mais do que apenas assistir ou ministrar aulas.

Segundo Nogueira (2001, p.90), "um projeto na verdade é, a princípio, uma irrealidade que vai se tornando real, conforme começa a ganhar corpo a partir da realização de ações e consequentemente, as articulações desta". É como um conjunto de ingredientes necessários para se fazer um bolo. Esses ingredientes ainda não são o próprio bolo, mas podem ser considerados como o desejo, a necessidade, a vontade de se produzir o alimento que simboliza o resultado da união e determinação em se construir algo.

O trabalho com projetos é positivo tanto para o aluno quanto para o professor. Ganha o professor, que se sente mais realizado com o envolvimento dos alunos e com os resultados obtidos; ganha o aluno, que aprende mais do que aprenderia na situação de simples receptor de informações. Assim a informação passa a ser tratada de forma construtiva e proveitosa e o estudante desenvolve a capacidade de selecionar, organizar, priorizar, analisar, etc.

O projeto nasce de um questionamento, de uma necessidade de saber, que pode surgir tanto do aluno quanto do professor.  A chave do sucesso de um projeto está em sua base: a curiosidade, a necessidade de saber, de compreender a realidade. Para Fernando Henandez (1998), “todas as coisas podem ser ensinadas por meio de projetos, basta que se tenha uma dúvida inicial e que se comece a pesquisar e buscar evidências sobre o assunto”. 

Contudo, isso não quer dizer que todo conhecimento obrigatoriamente seja construído por meio de projeto.  Não nega que haja necessidade de aula expositiva, de trabalhos individuais e em grupo, participem de seminários, ou seja, estudem em diferentes situações.

De acordo com o livro Papel da Educação na Humanização de Paulo Freire, apud revista da FAEBA, ele afirma que ao trabalhar com projetos interdisciplinares, “tanto educadores quanto educandos envoltos numa pesquisa, não serão mais os mesmos. Os resultados devem implicar em mais qualidade de vida, devem ser indicativos de mais cidadania, de mais participação nas decisões da vida cotidiana e da vida social. Devem, enfim, alimentar o sonho possível e a utopia necessária para uma nova lógica de vida”

Segundo Hernández (1998), os projetos não podem ser considerados como um modelo pronto e acabado ou como metodologia didática, ou separados de sua dimensão política. Trabalhar com projetos significa dar novo sentido ao processo do aprender e do ensinar. Eles devem estar voltados para uma ação concreta, partindo da necessidade dos alunos, a fim de solucionar problemas da sua realidade, para uma prática social que pode ser adaptada ao contexto escolar.

Na execução de projeto coletivo, o aluno busca informações, leituras, conversações, formulação de hipóteses, ampliando os seus conhecimentos, o senso crítico e a autonomia. Tudo isso desenvolve competências favoráveis à sua vida.

Um projeto prova ser bom se for suficientemente completo para exigir uma variedade de respostas diferentes dos alunos e permitir a cada um trazer uma contribuição que lhe seja própria e característica. Essas respostas são resultados do conhecimento significativo adquirido pelo aluno durante o processo de ensino e aprendizagem.

Com o intuito, de ressaltar a importância do projeto pedagógico no ambiente escolar é importante frisar que, sobretudo o projeto surgiu para romper os paradigmas da educação tradicional que buscava apenas a formação do individuo como um mero receptor que absorvia conhecimentos. No que se refere á escola que a escola inclusiva, aquela que aceita as diferenças e proporciona a integração dos seus indivíduos, vale dizer que é a escola que trabalha com projetos pedagógicos voltados para a participação de todos os segmentos da comunidade escolar priorizando a promoção do conhecimento.

 
 
REFERÊNCIAS
 

BUSSMANN, Antônia Carvalho. O Projeto Político Pedagógico e a gestão da escola. In: VEIGA, Ilma P. A. (Org.). Projeto Político Pedagógico: uma construção possível. 3. ed. Campinas: Papirus, 1997.
Citação de Referências e Documentos Eletrônicos Disponível em: http://www.liderisp.ufba.br/modulos/pedagproj.pdf. Acesso em 08 jul.2011.

Citação de Referências e Documentos Eletrônicos Disponível em: www.uol.com.br/novaescola/ed/154_ago02/html/hernandez.doc. Acesso em 08 jul.2011.
 
FREIRE, Paulo. Papel da educação na humanização. Revista da Faeeba. Salvador, n.7, jan./jun.1997.

GADOTTI, Moacir; ROMÃO, E. José. Autonomia da escola: Princípios e propostas. 4 ed.São Paulo: Cortez, 2001.

JALALI, Martha. A teoria da organização de Greenfield:uma alternativa para a administração educacional. Aracajú: UFS, 1995. (Dissertação, Mestrado).
                                                                                                                   
HERNANDEZ, Fernando; VENTURA, Montserrat. A organização do currículo por projetos de trabalho. Porto Alegre: Artmed, 1998.

NOGUEIRA, Nilbo Ribeiro. Pedagogia de projetos. São Paulo: Àtica, 2001.

SERRÃO, Margarida. Aprendendo a ser e a conviver. 2 ed. São Paulo: FTD,1999.

 

 

 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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